A linguística, o professor e a sala de aula.

INTRODUÇÃO

Neste trabalho o questionamento sobre o ensino de língua, como a linguística é abordada e trabalhada em sala de aula, observando as atitudes e intervenções referente ao assunto e sua influencia na aprendizagem e desenvolvimento do aluno.

Diante da possibilidade de estudar e descrever a variação, e que a mesma está relacionada a fatores estruturais e sociais, buscando estudar a nova perspectiva de ensino, da pedagogia da lingüística, perante a educação de língua portuguesa tradicional, gramática e norma-padrão.

Concluindo como poderiam ser trabalhadas, e sua importância em nossa sociedade. Justificando com a presença da variação lingüística na sociedade e particularidade do indivíduo. É um assunto não só importante, mas, instigador quando contraposto com o ensino escolar de língua portuguesa, onde nos estimula propor uma revisão de concepção e método de ensino.

Este artigo tem como objetivo mostrar como o professor, através de um conhecimento profundo em linguística, transformar sua forma de ensino quando percebe que ensinar não é apenas transmissão de conhecimentos, mas promover a reflexão sobre de ensino e aprendizagem de línguas. Traçando um percurso da linguística aplicada, seu objeto de estudo, observando o seu amadurecimento interdisciplinar. (MOITA LOPES, 2006).

Qual o papel da Lingüística na formação do professor de língua? Este artigo propõe refletir sobre o papel da Lingüística ao papel social do ensino de língua.

 

 

DESENVOLVIMENTO E LINGUAGEM

 

Na concepção de que o desenvolvimento precede a linguagem, temos a pré-escola como momento de “desenvolvimento” das crianças, pois a aprendizagem irá se efetivar apenas na escola.

A linguagem organiza o pensamento, daí sua inserção na relação entre aprendizado e desenvolvimento. No entanto, o progresso da fala não é paralelo ao progresso do pensamento, mas em dado momento a trajetória de ambos se encontram:

Há uma discussão a respeito de com quantos anos deve-se mandar as crianças para a escola. Alguns acreditam que a criança deve ir o quanto antes para a escola e outros acreditam que é melhor esperar um pouco. Sobre esta discussão encontramos em Zorzi, a seguinte observação:

 

“(…) é comum observamos crianças que chegam à escola muito tímidas, inseguras. Outras chegam agressivas, birrentas ou com outros problemas de relação e que, passado algum período de vivência escolar, evoluem sensivelmente. Isto também pode ocorrer, no caso de crianças com problemas no desenvolvimento de linguagem. O argumento, muitas vezes usado, de que é preferível esperar a criança começar a falar para, então mandá-la para a escola não é muito convincente. Pelo contrário, temos ouvido, com muita freqüência, o relato de pais afirmando que seus filhos começaram a falar, ou passaram a falar melhor, logo depois de terem ingressado na escola” .(ZORZI,1999)

 

Assim sendo, em crianças que apresentam algum tipo de distúrbio de comunicação, o que se observa é o aceleramento da aquisição de linguagem.

Como vemos, quanto maiores e melhores as interações, mais seguras se sentem às crianças para se expressarem e aprenderem nas trocas sociais.  Afinal, é sabido que para haver desenvolvimento, é necessário aprender com os outros, por meio dos vínculos que são estabelecidos. 

O conhecimento implica uma série de estruturas construídas progressivamente por meio de contínua interação entre o sujeito, o meio físico e social.

O desenvolvimento das funções cognitivas deve ser compreendido na medida em que se compreendem as relações entre o sujeito e o objeto no ato do conhecimento. As modalidades de interação são as mais diversas, o que favorece o intercâmbio de idéias, realidades e pontos de vista.

A observação, por exemplo, das interações espontâneas das crianças revela o quanto conversam entre si. Tanto que seria impossível fazer um inventário dos temas das conversas: o repertório é infinito, pois reflete vivências pessoais, desejos, fantasias e conhecimentos. 

A importância da linguagem na vida da criança aumenta na medida em que ela cresce e se torna membro de grupos sociais mais complexos que a família, como amigos e escola.

Quanto mais à criança adquirir a capacidade de se expressar e compreender a linguagem dos outros, mais seu pensamento irá se organizar e se enriquecer. (RAJAGOPALAN, 2003)

Portanto, uma interação cada vez maior entre a criança e o meio ambiente favorece sua capacidade de expressão e enriquece seu pensamento. 

 

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NA ESCOLA

 

Neste tema, é importante, relembrarmos que a sociedade vem mudando muito rápida vivendo uma nova era da informação, onde temos acesso rápido, a todo o tipo de informação, observarmos que o indivíduo também mudou.

Sendo fundamental que o professor se comprometa, consigo mesmo e saiba o que esta fazendo, para se motivar a transformar o aprendizado em sala de aula e a vida dos alunos, a reeducação lingüística é iniciada com o professor, e por isso o professor deve se especializar e capacitar, para tratar da variação lingüística de modo adequado, propiciando uma aprendizagem significativa aos seus alunos.

A reeducação sociolingüística é uma proposta de pedagogia da lingüística levando em conta as conquistas da linguagem. Não desprezando, as necessidades e os desejos dos falantes da língua. Mas não é possível, deixar as coisas como estão dominadas por ideologia lingüística. (BAGNO, 2007, p.86)

A escola precisa acolher o indivíduo e cumprir com seu papel de ensinar, para que, ao chegar à escola o indivíduo sinta-se valorizado, e gradualmente sejam expostas as diversas maneiras que a língua se representa, tanto em estilos mais monitorados como em estilos menos monitorados, observando e refletindo sobre o porquê ocorre essa variação. Estando a contextualização e a reflexão no planejamento de ensino capacitando e propiciando aulas dinâmicas e reflexivas, levando os alunos a sair da posição passiva e assumir a posição de aprendiz investigando e se identificando com a língua.

É fundamental que os professores sejam cientistas da língua, tornando-se influência dentro em sala de aula, e estimulando os alunos, levando-os a construir o próprio conhecimento; motivando o senso crítico e construir sua autonomia.

A escola tem o papel fundamental, de facilitar a ampliação comunicativa dos alunos, apropriarem-se dos recursos comunicativos necessários para seu bom desempenho e segurança, nas distintas tarefas lingüísticas. […] (BORTONI-RICARDO, 2004, p.74)

CONCLUSÃO

No mundo globalizado em que vivemos onde a comunicação, por meio da linguagem se tornou indispensável. Atualmente a linguagem verbal, vem sofrendo investigação científica. Não se pode mais pensar em língua como um corpo homogêneo, imune às mudanças sociais e a linguística.

A linguagem deve ser pensada como heterogênea na visão cultural, social e de cada indivíduo. A linguística aplicada atualmente explica como os indivíduos se comunicam e quais processos estão embutidos na interação verbal.

Buscamos que este artigo contribua para a literatura básica em linguística e que os pensamentos debatidos sirvam como base para novas pesquisas no campo abrangente dessa nova disciplina que emerge com grande voracidade científica em nossas universidades brasileiras.

REFERÊNCIAS

BAGNO, Marcos. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. – São Paulo: Parábola Editorial, 2007.

 

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. – Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa/ Secretaria de Educação Fundamental. . Brasília: MEC/SEF, 1998.

 

BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna: a sociolinguística na sala de aula. São Paulo: Parábola Editorial, 2004

 

MOITA LOPES, L. P. Por uma linguística aplicada indisciplinar. São Paulo: Parábola, 2006

 

RAJAGOPALAN, Kanavillil. Por uma linguística crítica: linguagem, identidade e a questão ética. São Paulo: Parábola, 2003.

 

 

ZORZI J.L. – A Intervenção Fonoaudiológica nas Alterações de Linguagem Infantil, Rio de Janeiro, Revinter,1999. p. 95

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