Hipermobilidade e pilates

Quando assistimos a uma apresentação de ginástica artística, ou mesmo a um espetáculo circense, em que os artistas se contorcem inteiros e fazem coisas que nem sabíamos que o corpo podia fazer, ficamos pasmos! E pensamos: “gente, que inveja! Deve ser muito bom conseguir fazer isso!”. Afinal, alguém que consegue tamanha amplitude de movimentos provavelmente nunca vai torcer o tornozelo, ou deslocar um ombro. Não é?

Mas o excesso de flexibilidade pode não ser tão bom assim. Que o diga quem tem hipermobilidade! A hipermobilidade, ou hiperflexibilidade, é caracterizada por uma amplitude de movimentos maior do que o esperado; as articulações do indivíduo “se dobram” mais do que em outras pessoas. Isso pode acontecer numa luxação, entorse, ou pode ser congênito também. E quem tem essa hipermobilidade congênita frequentemente precisa de fisioterapia ou pilates para manter tudo no lugar. Como assim?

Nem tão bom assim

A hipermobilidade, numa primeira avaliação, pode parecer ser uma coisa boa, mas na verdade ela dá mais trabalho do que parece. Os portadores dessa característica têm uma dificuldade extra na execução de certos movimentos. Por exemplo, no tênis, a raquete se torna uma extensão do braço, um peso a mais que ele tem que deslocar numa direção e num ângulo muito precisos. Quem tem hipermobilidade tem grande dificuldade para isso pois o braço tende a “chicotear” durante o movimento, fazendo com que a raquete “demore a chegar” no ponto em que deveria rebater a bola. Isso também acontece no vôlei, no basquete e em outros esportes de movimentação muito ampla e precisa.

As mulheres sofrem mais que os homens, particularmente por causa dos sapatos de salto. Quando os tornozelos também são acometidos pela hipermobilidade, o equilíbrio dos pés fica muito prejudicado, e a possibilidade delas torcerem gravemente os tornozelos enquanto andam sobre um salto é muito grande. Mas porque essas coisas acontecem?

Porque a musculatura ao redor das articulações hipermóveis não são preparadas para lidar com uma amplitude de movimento tão exacerbada. É como se estas articulações exigissem nervos, tendões e músculos mais fortes para movê-las no tempo certo, mas só contassem com estruturas mais fracas – que dão conta de fazer os movimentos, mas com menos força e mais lentamente.

Pilates na correção

Para ajudar os “hipermóveis”, é comum que o ortopedista recomende exercícios localizados específicos para fortalecer os músculos que trabalham sobre aquela articulação – especialmente, exercícios isométricos (aqueles em que o indivíduo segura a posição por alguns segundos, ao invés de fazer séries de repetições). O pilates é ideal para isto, pois cada exercício é acompanhado de perto por um fisioterapeuta, o que garante bons resultados.

As consequências deste esforço são: melhora na postura, mais firmeza na caminhada e na corrida e movimentos amplos mais precisos dos braços. Isso não quer dizer que o indivíduo se tornará um exímio jogador nos esportes que citamos, mas certamente haverá uma melhora neste aspecto e também em aspectos da vida pessoal, já que ele notará a diferença em seu corpo e se sentirá mais seguro.

Os pais devem ficar atentos aos filhos pequenos e observar seus movimentos. Se perceberem que a elasticidade e flexibilidade estão acima do percebido em outras crianças, convém levá-los a um ortopedista pediátrico para avaliações. Caso seja constatada a presença de hipermobilidade, os trabalhos de fortalecimento devem começar já na infância, para evitar transtornos futuros.

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