Feriados de um sujeito nada criativo

Eu nunca entendi muito bem o motivo, mas eu tenho um monte de amigos. Amigos mesmo, do coração, não apenas “conhecidos”. Principalmente entre os caras; sempre que estou com algum problema, me aparecem uns vinte aqui em casa pra me ajudar. E nunca entendi como foi que juntei tanto amigo, porque sou uma das pessoas menos sociais que conheço.

E eu não sei se é por ser assim, mas quase nunca estou namorando – já os caras… Apesar de serem tantos amigos, quando bate um feriado, some todo mundo. Foram passear com as namoradas, ou as peguetes. Não fica um – e se fica, com certeza prefere curtir a namorada, né? Aí o caladão aqui vira refém da programação da TV fechada, já que minha cidade é pequena e, literalmente, não oferece lazer algum nos feriados prolongados. Ainda bem que pelo menos TV fechada tem por aqui.

Opções? No las habemos…

Teve uma vez que tentei convencer os caras a passar o feriadão por aqui mesmo, para a gente fazer um churrasco e jogar uma bola num campinho surrado que tem num pesque-pague aqui perto. Eles até animaram, mas eu não contava com o fator “olhinhos pidões” das namoradas ninjas mutantes deles. Aliás, mulher é uma coisa, né? É só chegar com aquela carinha que conseguem tudo! Nessa vez, cada uma tinha um plano diferente, e todas – todas! – conseguiram convencer meus amigos a outros programas.

Teve um ano que o feriado de Tiradentes caiu numa quinta e o chefe autorizou a emendarmos a sexta. O pessoal no serviço comemorou, e eu fiquei emburrado. Fazer o quê soinho num feriado desse tamanho?? A prefeitura chegou a anunciar que haveriam programações culturais ao longo do feriado todo – não é exatamente meu programa favorito, mas seria uma distração. Ledo engano… foi cancelado pó problemas no contrato com os prestadores de serviço (um erro no contrato, qualquer coisa assim) e as programações foram canceladas. Quinta e sexta fiquei em casa, zapeando pela programação da TV fechada. Quando enjoei, resolvi dar uma volta no centro da cidade – e fiquei até mais confortável quando vi que tinha mais um monte de gente sem ter o que fazer. Diminuiu minha sensação de “forever alone”.

Inovar é preciso?

Por fim eu já estava sabendo tudo sobre caça ilegal de baleias, a incrível vida das formigas gigantes da África (inclusive um fungo muito louco que entra no cérebro delas e as transforma em zumbis) e como são construídas aquelas máquinas gigantes que operam nas mineradoras (sim, eu curto documentários), mas não aguentava mais. Na verdade, eu estava estressado, de tanto tempo em frente à TV – pois é… até a programação da TV fechada enjoa!

Me levantei num salto que nem sabia que podia dar e fui para a cozinha. Detesto cozinhar, mas reconheço que levo jeito. Passei a mão num livrão de receitas que minha mãe me deu quando saí de casa (nunca entendi o por que), abri numa página qualquer, conferi se tinha os ingredientes daquela receita em casa. Tinha. “Ótimo”, pensei, “vou fazer isso aqui hoje”. E comecei a fazer a tal receita. Era uma torta de frango com catupiry (que a gente sabe que é requeijão) e um monte de temperos malucos. E eu tinha todos! Sempre gostei de ter temperos em casa, por causa do aroma. O cheirinho se espalhou pela casa, saiu pelas janelas e alcançaram o vizinho, que apareceu lá em casa. “Minha mulher viajou com minhas filhas e eu fiquei, mas estou passando o maior aperto para fazer comida em casa. Esse cheirinho está vindo é daqui?”. Achei graça e o convidei para comer comigo – seria bom ter companhia, afinal!

Sem querer, acabamos virando companheiros de feriados “forever alone”, já que ele não gostava de viajar. Todo feriado, a gente combinava de fazer uma receita diferente, ora na minha casa, ora no boteco que ele tinha – era bom, que eu ganhava uns troquinhos por fora. Escravo da programação da TV fechada, nunca mais!

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